sexta-feira, 9 de março de 2012

SEM OFENSA

sou o moço do verso
mais sem graça que tem,
sou loiro e sou alto
e sei que sou alguém

de manhã pego a viola,
à tarde meto-me em poesia,
me arrisco a pensar
sou mestre da filosofia

conto do meu umbigo,
da minha história a reluzir,
invento amor e tudo
a quem tiver de ouvir

sei do meu talento
nestas rimas triviais,
nesta ânsia de fingir
a todos que sou capaz

aos meros humanos,
e à moça também,
fica aqui o meu alô
e todo o meu desdém

porque meu nome é estranho,
porque eu sou o moço,
a criatura mais linda
até se chegar ao caroço.

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