sexta-feira, 31 de maio de 2013

botas vermelhas

Na entrada um busto do Mário de Andrade, e todo o resto era muito bonito. Bem visão de primeira visita: descobri mármore, madeira e piano de cauda sendo transportado pra cima e pra baixo. 
- Olha isso. 
- Aqui é outro mundo, né?
Concordamos que era uma passagem espaço-temporal e nos deliciamos com os livros na seção de artes. 
Saí comendo o chocolate que tinha ganhado de mimo e ando pelas ruas do centro sem grandes convicções nem apreços, testando meu senso de direção tão falho e a capacidade seletiva de dialogar. O monólogo eu mantenho com hegemonia daqui a pouco, quando desço do ônibus na Brigadeiro e me despeço, depois de passá-la toda como a gente fez a pé uma tarde, a procura de sebos. Nos meus dedos vi outro Cores, Nomes lá pra vender -- mesmo berçário do meu. A Bethânia estampava várias capas e eu fui embora dali com pesar por não levar uma pra casa.
Pequenas bexigas vermelhas forram as vitrines das lojas, corações de papel pendem do teto comercial e os anúncios fazem questão de fomentar a baita cifra do dia 12. O último eu passei com o Chico do disco de capa furadinha. Chata a publicidade... 
Entre as pernas da calçada suja da Paulista -- as nossas continuam ali em espectros -- não sinto o nó no estômago de outrora, mesmo com palavras tão vãs projetadas na minha cabeça. Penso em argumentos sentimentais entrecortados por "porra", a caminho de algum tipo de conformação. Por algum motivo abrazos rotos me vêm à mente, além do "Amar amaro", a voz embarga e sinto vontade de chorar naturalmente, pra todo mundo ver.
Enquanto o farol não fecha eu espero, me afastando do café da Reserva por ser tão bonito e caro, da escadaria da Gazeta diminuída pelas grades; pena. Quero sentar e escrever a coisa mais melancólica nessa noite sozinha de sexta-feira, olhando a saída do expediente do pessoal e as duas tias que bebem Skol na mesa da frente. Peço um café sem açúcar, quanto mais vagabundo melhor, e da cadeira de plástico brindo à vida eterna da caneta bic, do ruído ambiente e dos livros de bolso que eu somente admiro nas bancas de jornal. 

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