domingo, 17 de fevereiro de 2013

sem maniqueísmo

Sou feita assim toda de impulsos e momentos puxados da memória, presentes ou gestantes, de forma que sei abandonar tudo que é dever a fim de satisfazer algum lampejo atraente. O que não significa que seja leviana e, muito menos, fluida. Trata-se apenas de querer tirar da laranja todo o suco, somado a alguma adaptação do mito da eterna recorrência de Nietzsche. Num fim de tarde de domingo por tabela não engraxado, sou capaz de lembrar da Clarice que li pela manhã, fabricar uns pensamentos e pá, saltar da cama, pegar o primeiro disco do Chico que me aparecer e em seguida o caderno e a caneta. Esses saltos estão via de regra sempre relacionados a música, literatura, cinema, História, algum prazer bobo ou à vontade de rabiscar palavras. Nada mais, e racho as velas a partir disso tudo. 
Dessa vez foi Meus Caros Amigos -- dezesseis de janeiro, três reais, boa memória de quem gosta do passado. E então ao som do lado A arranjei parte não usada do caderno em meio aos livros de química. Diabos, tire isso daqui! Limpei a mesa às pressas e acendi a peneira não tão fina dos lampejos. Sou feita toda de impulsos e momentos puxados da memória, presentes ou gestantes -- déjà vu -- até a hora do off ao travesseiro.

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