domingo, 22 de abril de 2012

PÓS-DOSAGEM

Eu digo que não tenho paciência para filmes - e de fato não tenho -, mas acabo encantada depois de ver um, por mais simples que seja. O cinema tem algo de magia, que envolve seus olhos e seus ouvidos e sua cabeça e os sentimentos ao mesmo tempo. É realmente bonito, quando acontece. Não é nada como pegar um livro e segurá-lo nas mãos, cheirá-lo e dobrá-lo as páginas, marcar nelas com um lápis as partes mais preciosas, palavras e palavras... Também não é como a música, arte das mais divinas, mágica, remédio, entorpecente e tudo que eu nem sei escrever. Sem mencionar tantas pinturas, desenhos, pedras esculpidas.
Não digo que o dia transfigura-se numa maravilha por causa desse negócio chamado arte, mas digo mais; a vida, seja lá o que ela seja, vira algo suportável. Vira até curiosa. Um baú sem fim. Cá estou batendo na mesma tecla que tantos já bateram antes, mas o que é deitar a cabeça no travesseiro sem alguma melodia na cabeça? Há graça em fins de semana sem um bom e velho livro? Não é lindo arrepiar-se com uma tela cheia de tinta? Como é, me diz você... como é viver sem arte? 

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