terça-feira, 6 de março de 2012

Segunda agonia do ano


Não costumo esquematizar muito esse negócio de sonho, tanto que se você me perguntasse agora quais são os meus eu demoraria um pouco a responder. Não é que eu não os tenha, pelo contrário; é mais falta de hábito ou preguiça de transformar essas vontades em respostas. Mas bem, continuando. Sei somente que os dias que se seguem à (desculpem a palavra piegas, não consegui achar melhor) realização deles são cheios de olhar para o nada e suspirar ou sorrir ou querer chorar outra vez. E às vezes até conseguir.
A sensação de não acreditar nos próprios olhos me é muito curiosa e um tanto agonizante; é aquilo de querer de qualquer jeito que o momento todo congele e permaneça sempre fresco nas células. O som, a imagem, o cheiro todo, o choro todo, tudo.

Parar, ouvir, sentir que tatibitati que bate o coração... 

Fechar os olhos e escutar aquela voz do Chico Buarque... abri-los e ver o próprio ali, com a roupa preta e o violão pendurado. Aplausos, aplausos, aplausos como se ele fosse rei! Ainda assim o homem mantinha-se calado, e eu não parava de admirá-lo. E pensar: será que não é chato fazer o mesmo show todo dia? E depois  lembrar do seu rosto no Samambaia, e ouvir Baioque e lembrar de todas as vezes em que eu a ouvi no quarto, e lembrar do tanto que estudei suas músicas em sala de aula, e tentar entender que aquele cara todo estava lá, lá meio longe, sim, mas não importa. Ver e ouvir um dos gigantes da música brasileira, por deus... Me chame de dramática, melodramática, chorona, boba e o quanto mais quiser, mas pra essas coisas devo ser mesmo.

Mais um dia, mais uma cidade para enlouquecer, o bem querer, o turbilhão...

Manhã seguinte quatro horas de prova, Injuriado tocando na cabeça e me desviando de todos os textos e contas e a, b, c ou d. Mais um tijolinho no meu muro fazendo toctoc.

Ir deixando a pele em cada palco e não olhar pra trás, e nem jamais, jamais dizer adeus... 

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