sexta-feira, 29 de julho de 2011

When you're strange

Aquele lado da lua

Ontem gastei todo meu dinheiro e comprei um terreno na Lua. Até considerei um pedaço de terra em Marte, mas o corretor se mostrou relutante e usou todos os argumentos possíveis para que eu desistisse daquela vermelhidão.
O terreno é grande e, para meu deleite, não terei vizinhos (pelo menos, acho que não). Nenhuma mosca irá atrapalhar minhas tardes e também não vou precisar daquela redoma para guardar oxigênio. (o corretor passou seu tempo explicando o sistema mais inovador da via Láctea, mas realmente deixei-me divagar. Posso até dizer que estava no mundo da Lua, se preferir um humor idiota.)
O moço me disse que era o primeiro no ramo de imóveis extra-terrestres e que não contaria a ninguém sobre minha aquisição, afinal deixei bem claro desde o início que queria distância dos terráqueos. O cara foi anormalmente compreensivo e até me ajudou, idealizando como eu sumiria do mapa e sugerindo os tipos de móveis e alimentos adequados. Tudo foi parar no meu caderninho azul.
E a solidão?, você deve estar se perguntando... Pois digo que passei bons anos vivendo quase todos os dias no mesmo apartamento, sem gato, cachorro ou faxineira, e sobrevivi perfeitamente bem ao som de discos reconfortantes e uns maços de cigarro. Nas férias de 97' passei um mês numa casinha de campo, colhendo minhas próprias frutas e moendo meu próprio café. Talvez seja uma lembrança meio remota, sim, mas igualmente satisfatória.
Ah, se eu cansar-me da vista?... Nesse caso, viro a cadeira para outro canto do universo e fico o resto do dia conversando sozinho, deixando os pensamentos em voz alta, simplesmente. E sem olhos recriminadores e assustados, imagina o quanto isso deve ser bom?!
Acho que desde criança tenho um complexo de Greta Garbo exagerado, confesso, sem falar na perfeita compreensão daquela música... People are strange, se não me falha a memória. Seres humanos são muito complicados para minha cabeça já perturbada por si só e tenho certeza de que olhá-los tão frágeis e invisíveis de lá de cima dará o maior prazer. Não me leve a mal.
A placa de "vende-se" já está à postos no meu jardim e as malas estão sendo arrumadas, segundo as recomendações do corretor e da minha consciência. Todas suas perguntas ficarão em aberto, sinto dizer, mas... se isso serve de conselho, você tem muito passo de formiguinha para dar antes de preocupar-se com minha vida lunática (literalmente... se preferir o humor idiota outra vez). 

Partimos eu e meu foguete semana que vem.  

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